Mármore
Meu pequenininho, a quanto tempo não te vejo,a quanto tempo não te sinto.Quando eu te conheci você era só um menino,timido, meigo e gentil, com olhos de quem deseja transformar o mundo. Estava sempre avoado pensando, brincando, tocando, para ser sincera, até hoje você continua assim, porém, é a sua maneira de tentar ser feliz, e respeito muito isso. Nossas idas ao parque, de tardizinha, me deixava sempre um pouco mais leve, você tão calado me deixava falar a todo momento, apenas concordava com minhas idéias sem sentido, eu me arrependo de não ter te ouvido ...
O tempo foi passando e as responsabilidades nos conduziam a caminhos que nunca deveriamos seguir. Um caminho injusto, onde o tempo é sempre cinza, e os sorrisos metálicos. O céu é coberto por uma longa cortina, e infelizmente, não é uma lona de circo,mas sim uma enorme cortina de veludo preta, e todos nós fazemos parte deste triste teatro de marionetes. Mas não tenha medo meu pequenininho, o Grande Mágico revela seus truques todos os dias para os que sabem enxergar e tem a coragem de aprender.Ele nos mostra a cartola e nos faz enxergar na pontinha do pelo do coelho, ele sabe que podemos conhecer a verdadeira magia, a que pendura por entre as dimensões e não se quebra, nem tão pouco se desfaz. Ele nos ensina a sonhar meu menino, a acreditar no impossível, a desvendar os porquês da vida e da morte. “O truque é muito simples”, diz o Grande Mágico, devemos ter fé, não importa no que, em onde, nem tão pouco quando. Precisamos lutar contra o fantasma da realidade e escrever nossos sonhos em mármore, para que eles se tornem um amuleto, um guia. Depois de escritos devemos guardá-los na alma, deixá-lo penetrar no mais longínco pedaço do nosso ser, fazer do sonho, uma artéria, um sentido para viver. Veja que os bens aventurados sonharam, antes de mais nada, tiverem somente a necessidade de sonhar. Não se preucupe com o momento presente, meu pequenino, o acreditar já tem sua magia e por sí só sua força para acontecer...
Vejo que você cresceu, perdeu seus olhos curiosos e ganhou um olhar forte, determinado, seu sorriso já não é de um menino e sim de um homem que sabe o porque de sorrir, já não presta atenção nas minhas bobagens e seguiu fielmente as palavras do Grande Mágico. O que lhe falta para atingir a eternidade? Não se preucupe se o medo ainda persistir, ele é uma emoção fulgaz e indolente, sempre vigiando os humanos, porém, ele não pode ser vencido. O medo deve ser superado e enfrentado, como uma criança que enfrenta o escuro.Devemos agir acima do medo, como me disse certa vez um pajé, de uma tribo muito antiga ao qual eu visitei a muito tempo...
Sei que seu coração está dividido,tambem sei que é por causa de uma moça,mas, meu pequeno, infelizmente, eu não posso lhe ajudar, eu só te peço que siga seu coração, o mais longe que puder, não tenha pudor ou vergonha de dizer não, pois a dor fortalece e liberta , mas se o sim prevalecer cuide como se fosse uma roseira, sensível, humana e bonita...
Meu pequeno as coisas estão mudando, as crianças envelhecem, as árvores já não cantam, as flores não se apaixonam.Tudo isso é culpa da rotina, do marasmo, da obrigação, são eles que manipulam nossas cordinhas de marionete.Porém descobri um segredo, que correu nos ouvidos do vento e chegou até mim, o segredo de uma moça muito bela e muito doce, a quem nós erronêamente a chamamos de morte. Ela disse que seu objetivo não é a dor é o alívio e que ela não é triste, ela é apenas mal compreendida. Ela revelou que se as pessoas a compreedessem, perceberiam que ela não está aqui para trazer sofrimentos, ela esta para nos fazer viver, para que possamos lutar lado a lado contra o marasmo, a rotina a obrigação, se ela não existisse, não teria sentido lutar pelos que amamos, não teriamos força para persistir, não precisariamos sonhar, não existiria a necessidade do desejo, do sexo, do abraço, do beijo, da amizade, da paz.Imagine, meu pequeno, um eterno vazio imensurado, infinito entre o “agora” e o “ pra sempre”.O mais triste, e o mais cruel, de todas as consequências , é que nós humanos, não conheceriamos o conto de fadas.
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