Ultimamente, estou meio sem criatividade para estar escrevendo coisas interessantes aqui no blog. Apesar de ter ocorrido algo,no mínimo improvável, nos meus sempre iguais dias, me surpreendi ao fato de não querer postar nada, nem ao menos uma poesia sequer. Puxando o gancho, estava dando uma olhadinha em uma poetisa portuguesa, chamada Florbela Espanca.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Clarice sempre me foi indeciflável, até chegar ao ponto, em que eu passei a ser Clarice, foi então que entendi entre as entrelinhas. Sua maneira de escrever se tornou como um desabafo, de alguem que me intende no intimo. Acho que essa percepção é para todos. Quem a conhece e "conversa" com ela sabe, que dos papos mais triviais aos casos, digamos, irreparáveis para a alma, ela exprime o máximo de cada sentimento e o completa ainda mais! Confesso que não deixo de dar uma olhada em algo de Clarice durante o dia, ela se tornou uma boa amiga nas horas amargas e tambem nos momentos vazios. É sempre um prazer desfrutar de algo que tanto me completa. Tenho certa intimidade, leio de "dentro para dentro",essa euforia desconhecida é um dos poucos momentos em que penso de maneira natural sobre o que me intristece. Ler Clarice, me faz sentir certa felicidade na tristeza, beleza no inacabado. Clarice é isso, e tudo um pouco!
Nossa Truculência
Quando penso na alegria voraz
com que comemos galinha ao molho pardo,
dou-me conta de nossa truculência.
Eu, que seria incapaz de matar uma galinha,
tanto gosto delas vivas
mexendo o pescoço feio
e procurando minhocas.
Deveríamos não comê-las e ao seu sangue?
Nunca.
Nós somos canibais,
é preciso não esquecer.
E respeitar a violência que temos.
E, quem sabe, não comêssemos a galinha ao molho pardo,
comeríamos gente com seu sangue.
Minha falta de coragem de matar uma galinha
e no entanto comê-la morta
me confunde, espanta-me,
mas aceito.
A nossa vida é truculenta:
nasce-se com sangue
e com sangue corta-se a união
que é o cordão umbilical.
E quantos morrem com sangue.
É preciso acreditar no sangue
como parte de nossa vida.
A truculência.
É amor também.
( O poema desta página é resultado do arranjo em versos, feito pelo padre Antônio Damázio, de textos em prosa da extraordinária escritora Clarice Lispector.)
Nossa Truculência
Quando penso na alegria voraz
com que comemos galinha ao molho pardo,
dou-me conta de nossa truculência.
Eu, que seria incapaz de matar uma galinha,
tanto gosto delas vivas
mexendo o pescoço feio
e procurando minhocas.
Deveríamos não comê-las e ao seu sangue?
Nunca.
Nós somos canibais,
é preciso não esquecer.
E respeitar a violência que temos.
E, quem sabe, não comêssemos a galinha ao molho pardo,
comeríamos gente com seu sangue.
Minha falta de coragem de matar uma galinha
e no entanto comê-la morta
me confunde, espanta-me,
mas aceito.
A nossa vida é truculenta:
nasce-se com sangue
e com sangue corta-se a união
que é o cordão umbilical.
E quantos morrem com sangue.
É preciso acreditar no sangue
como parte de nossa vida.
A truculência.
É amor também.
( O poema desta página é resultado do arranjo em versos, feito pelo padre Antônio Damázio, de textos em prosa da extraordinária escritora Clarice Lispector.)
segunda-feira, 14 de junho de 2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Um amigo, ao qual tenho muito carinho, me passou essa poesia. Conversamos pelo msn,e posso dizer que é muito prazeroso falar com ele.Temos ideias parecidas e ele sempre enriquece meu computador com músicas legais e textos interessantes. É um dos poucos "caras" que gostam de Arthur Schopenhauer e Chapolim ao mesmo tempo.Enfim, abaixo está a poesia ao qual tenho comentado, espero que gostem!
A fome e o Amor (Augusto dos Anjos)
A um monstro
Fome! E, na ânsia voraz que, ávida, aumenta,
Receando outras mandíbulas a esbangem,
Os dentes antropófagos que rangem,
Antes da refeição sanguinolenta!
Amor! E a satiríasis sedenta,
Rugindo, enquanto as almas se confrangem,
Todas as danações sexuais que abrangem
A apolínica besta famulenta!
Ambos assim, tragando a ambiência vasta,
No desembestamento que os arrasta,
Superexcitadíssimos, os dois
Representam, no ardor dos seus assomos
A alegoria do que outrora fomos
E a imagem bronca do que inda hoje sois!
A fome e o Amor (Augusto dos Anjos)
A um monstro
Fome! E, na ânsia voraz que, ávida, aumenta,
Receando outras mandíbulas a esbangem,
Os dentes antropófagos que rangem,
Antes da refeição sanguinolenta!
Amor! E a satiríasis sedenta,
Rugindo, enquanto as almas se confrangem,
Todas as danações sexuais que abrangem
A apolínica besta famulenta!
Ambos assim, tragando a ambiência vasta,
No desembestamento que os arrasta,
Superexcitadíssimos, os dois
Representam, no ardor dos seus assomos
A alegoria do que outrora fomos
E a imagem bronca do que inda hoje sois!
terça-feira, 8 de junho de 2010
Parece que as coisas estão mudando por aqui, não sei bem o que seria, talvez, inconsciente coletivo. Quero amadurecer minhas ideias, sinto essa necessidade. Acredito que já esteja na hora de guardar as bonecas na caixa e falar de coisas proveitosas para um todo. Pensei em estar encerrando a conta do blog, porem, descobri certo carinho por essas palavras aqui digitadas, e acabei por optar em estar "revigorando" um pouco a maneira de escrever e passar o que penso! Tenho certeza, que algumas características minhas irão prevalecer, tais como gostos pessoais, valores e pontos de vista .No entanto, sinto falta de um pouco de envolvimento de coisas externas e também, de estar passando assuntos que saiam um pouco do "eu". Espero que para quem lê meu blog, aprecie essa mudança.
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